quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Tempos de caju


Enquanto movimentos anunciam uma manifestação nacional para o dia 26 de março, em defesa da Operação Lava Jato, um parlamentar age como um cachorro louco tentando fazer com que a opinião pública acredite que ele não está tentando enterrar as investigações do maior caso de corrupção que o mundo já viu.

Mas é preciso muita atenção nesse momento crucial. Embora esse parlamentar esteja visivelmente tomado por uma cólera canina, ele é dotado de uma mente muito fértil para criar situações ardilosas. Não é à toa que ele é o único a colocar a cara para fora, enquanto os demais preferem agir nos bastidores, de tocaia, para minar a Lava Jato.

O que o cão raivoso está tentando fazer é fixar na mente das pessoas que todos os políticos estão sendo colocados no mesmo saco do ódio por uma “imprensa perversa”. É a mesma tática usada pelo presidente Donald Trump contra as maiores corporações jornalísticas dos Estados Unidos.

Lá, essa tática velhaca tem dando certo. Trump conseguiu se eleger presidente enfrentando toda a enxurrada de denúncia por parte da mídia. Porém, o que muitos esquecem é que Trump foi eleito pelos delegados, e não pelo voto popular, do qual ele não obteve maioria. E não se sabe até quando ele conseguirá segurar a pressão atacando de forma veemente a imprensa.

Por aqui, o que o parlamentar da raiva canina está fazendo é se aproveitar de um vácuo que restou do impeachment que ele mesmo ajudou a articular para “estancar a sangria” da Operação Lava Jato. Naquele momento, existiam “inimigos reais” a serem combatidos, como Lula, Dilma, PT, “comunismo” e o “bicho papão”.

Como não há mais um nome, um político específico ou um monstro eleito no inconsciente popular, então o cão raivoso acha que pode entrar na mente da sociedade para dizer que o “monstro” é a imprensa e as “vítimas” são os políticos. É uma aposta arriscada, pois, se não há alguém concreto para ser combatido, neste momento, então esse nome pode ser o dele próprio, o único parlamentar que tem feito de tudo para enterrar a Lava Jato.

Afinal, o governo Temer (PMDB) está nas mãos dele, que se acha mente brilhante e que traçou o plano de demonizar a imprensa a fim de fazer com que a sociedade brasileira acredite que as vítimas são os políticos.

Até agora, no calor dos saques do FGTS inativo, as pessoas poderão poupar Temer. Porém, resta à sociedade o nome daquele que de tudo tem feito, às claras e insistentemente, para enterrar a Lava Jato: ele, o delatado com a alcunha de “Caju”.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

jesseroraima@hotmail.com

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